Vitória no momento certo pode ser crucial para Honda ficar na F1

Triunfo de Max Verstappen aconteceu na mesma semana em que a fabricante japonesa discutiu se continuaria ou não na Fórmula 1

Vitória no momento certo pode ser crucial para Honda ficar na F1
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A vitória da Red Bull no GP da Áustria pode ser decisiva para manter a Honda na Fórmula 1. A fabricante tem discutido internamente os resultados que teve até agora e quais as chances de sucesso no futuro. Apesar dos sinais de progresso demonstrados nesta temporada, o saldo dos cinco anos desde o retorno dos japoneses à categoria ainda é negativo.

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A Honda deixou claro no começo do ano que seu sucesso com a Red Bull seria fundamental para orientar a decisão sobre seu futuro no esporte, mas outro ponto chave para os japoneses gira em torno do novo regulamento da Fórmula 1, que entrará em vigor em 2021.

Diretor da Honda na F1, Masashi Yamamoto disse recentemente ao Motorsport.com que a companhia precisava saber se teria alguma chance de sucesso para o caso de permanecer na categoria.

Perguntado sobre o quanto as regras vão impactar na decisão da Honda, Yamamoto disse: “É relacionado. Claro que nós não sabemos que tipo de corrida vai ser, e existe a possibilidade de termos desvantagens com o novo regulamento. Então, obviamente, estão relacionados”.

Ele adicionou: “A Fórmula 1 é a categoria máxima do esporte a motor. Precisa ser uma categoria que inclui o pináculo da tecnologia. Esta é a demanda pela F1.”

Em meio a questões sobre as regras de 2021, alguns executivos da Honda, incluindo seu presidente Seiji Kuraishi, viajaram para o GP da Áustria para reuniões com os gestores da Red Bull para discutir o futuro e se o projeto seria estendido ou não.

Falando após a corrida, o chefe da Red Bull, Christian Horner, disse que foram abertas conversas sobre o que a Honda faria depois de 2020 e que nada estava definido ainda.

"Houve discussões ao longo do dia e tinha executivos da Honda aqui”, explicou. “Mas foi fantástico ter o vice-presidente da empresa conosco para ver sua primeira vitória na era híbrida. Foi uma grande performance e todos apreciaram muito”.

É claro, no entanto, que conquistar a primeira vitória da Honda na era híbrida na frente de membros mais antigos da diretoria da empresa não poderia ter sido mais oportuno, com uma reunião do conselho prestes a discutir o futuro do projeto na F1.

A decisão final, obviamente, virá da diretoria no Japão. Inevitavelmente, quando membros da companhia tiverem que tomar uma decisão grande como essa, sempre podem ser influenciados pelo humor da pessoa no comando.

Portanto, não se deve subestimar o quanto o CEO da Honda, Takahiro Hachigo, se alegrou com o resultado, de modo que isso pode ter impacto na decisão.

“Eu fico sem palavras quando penso sobre o enorme esforço de todos os funcionários da Honda que se envolveram neste projeto, que sempre acreditaram neles mesmos, nunca desistiram e finalmente alcançaram a vitória da Áustria”.

“Quero agradecer todos os fãs. Com o suporte deles, vamos continuar lutando enquanto nos esforçamos para atingir o maior objetivo, que é vencer o campeonato mundial, tomando essa vitória como um primeiro passo. Qualquer sucesso futuro que tivermos também será graças a nossos fãs que são realmente parte de nosso time”.

Relembre a trajetória da Honda na Fórmula 1

A fabricante japonesa, que foi do céu ao inferno na F1, venceu pela primeira vez desde que voltou à categoria e parece ter encontrado o caminho para a glória. Em galeria exclusiva, o Motorsport.com conta a história da marca na elite do automobilismo mundial. Confira abaixo:

1964 A estréia da Honda na F1
1964 A estréia da Honda na F1
1/50
Ronnie Bucknum foi o responsável por guiar o RA271 em três grandes prêmios naquele ano. O melhor resultado foi um 13º lugar na Alemanha.

Foto de: David Phipps

1965 - O primeiro Triunfo
1965 - O primeiro Triunfo
2/50
O recém chegado Richie Ginther foi bem sucedido e conquistou a primeira vitória da Honda na Fórmula 1, no GP do México

Foto de: LAT Images

1966 - resultados pouco expressivos
1966 - resultados pouco expressivos
3/50
Os americanos Richie Ginther e Ronnie Bucknum continuaram guiando pela marca.

Foto de: LAT Images

1967 - Segunda vitória
1967 - Segunda vitória
4/50
O campeão mundial de 1964, John Surtees, chegou à Honda e venceu o GP da África do Sul, última conquista da primeira passagem dos japoneses pela F1.

Foto de: David Phipps

1968 - Bons resultados antes da saída
1968 - Bons resultados antes da saída
5/50
Surtees conseguiu mais dois pódios para a Honda em 1968, na França e nos Estados Unidos.

Foto de: LAT Images

Jo Schlesser, Honda RA301
Jo Schlesser, Honda RA301
6/50
Na França, Jo Schlesser sofreu um acidente fatal. A morte do piloto pesou na decisão da fabricante para sair da F1 no final daquele ano.

Foto de: LAT Images

1983 - O retorno
1983 - O retorno
7/50
A Honda voltou à F1 em 1983, fornecendo motores para a equipe Spirit. Na foto, vemos Stefan Johansson guiando a Spirit Honda. Parceria durou apenas 6 corridas.

Foto de: Sutton Motorsport Images

1983 - Parceria com a Williams
1983 - Parceria com a Williams
8/50
Os motores Honda da Spirit chamaram a atenção da Williams de Keke Rosberg, que experimentou os propulsores no GP da África do Sul.

Foto de: LAT Images

1984 - O início de uma era
1984 - O início de uma era
9/50
A primeira vitória da Williams Honda aconteceu no GP de Dallas. Keke Rosberg venceu a prova e deu início a um período de conquistas que durou quase uma década.

Foto de: Williams F1

1984 - O início de uma era
1984 - O início de uma era
10/50
A primeira vitória da Williams Honda aconteceu no GP de Dallas. Keke Rosberg venceu a prova e deu início a um período de conquistas que durou quase uma década.

Foto de: Williams F1

1985 - A chegada de Mansell
1985 - A chegada de Mansell
11/50
Na segunda temporada completa com motores Honda, a Williams venceu quatro provas, duas com Rosberg e duas com Nigel Mansell.

Foto de: LAT Images

1986 - O título de Construtores
1986 - O título de Construtores
12/50
O então bicampeão mundial, Nelson Piquet, substituiu Rosberg que foi para a McLaren. Com 4 vitórias do brasileiro e 5 de Mansell, a Williams Honda conquistou seu primeiro mundial.

Foto de: LAT Images

1987 - O Tri de Nelson Piquet
1987 - O Tri de Nelson Piquet
13/50
Piquet foi campeão em 87 e Williams Honda foi bicampeã de construtores. O brasileiro se tornava tricampeão da F1, após vencer outros dois campeonatos com a Brabham.

Foto de: LAT Images

1987 - Título e discórdia
1987 - Título e discórdia
14/50
Contudo, a relação de Piquet, Williams e Honda não foi das melhores, com o brasileiro acusando a equipe de favorecer Mansell e a Honda querendo se distanciar das polêmicas.

Foto de: Sutton Motorsport Images

1987 - Lotus, Honda e Senna
1987 - Lotus, Honda e Senna
15/50
Naquele ano três forças unidas se destacaram na última grande temporada da Lotus na F1. Com a Honda e Ayrton Senna, a Lotus venceu nas ruas de Mônaco e Detroit.

Foto de: LAT Images

1988 - Piquet e Senna trocam de volante
1988 - Piquet e Senna trocam de volante
16/50
Com o fim do contrato com a Williams, Piquet ocupou o assento deixado por Senna na Lotus, apostando no sucesso. No entanto a equipe nunca mais construiu um equipamento capaz de vencer.

Foto de: LAT Images

1988 - Terceiro título da Honda
1988 - Terceiro título da Honda
17/50
Enquanto isso, A McLaren Honda começava aquele que seria o ano mais dominante da história da F1 até aquele momento. Senna e Prost venceram 15 das 16 corridas do ano e o brasileiro se tornou campeão.

Foto de: Sutton Motorsport Images

1989 - Japoneses vencer a quarta seguida
1989 - Japoneses vencer a quarta seguida
18/50
No ano do tetra da Honda, Senna e Prost protagonizaram uma rivalidade histórica, com o francês levando a melhor no fim do ano. De 89 à 92, a Honda equipou apenas os carros da McLaren.

Foto de: LAT Images

1990 - Pentacampeonato da Honda
1990 - Pentacampeonato da Honda
19/50
Após a saída de Prost, a McLaren trouxe Gerhard Berger para ser companheiro de Senna. O brasileiro sagrou-se bicampeão da F1 após mais uma disputa com o rival francês.

Foto de: Rainer W. Schlegelmilch

1991 - Hexa da Honda e tri de Senna
1991 - Hexa da Honda e tri de Senna
20/50
Aquele foi o ano dos últimos títulos da fabricante japonesa e do piloto brasileiro.

Foto de: LAT Images

1992 - A Honda anuncia a saída da F1
1992 - A Honda anuncia a saída da F1
21/50
De saída, a Honda amargou sua primeira derrota em 6 anos, sendo batida pela Renault que fez parceria com a Renault. A última vitória da McLaren Honda foi conquistada por Berger na Austrália.

Foto de: LAT Images

2000 - Retorno ao lado da BAR
2000 - Retorno ao lado da BAR
22/50
Jacques Villeneuve se uniu a uma fabricantes de cigarros e à Honda para a formação de uma equipe que estreou como grande promessa na F1 mas que não alcançou grandes resultados.

Foto de: BAR

2001 - O primeiro Pódio da BAR Honda
2001 - O primeiro Pódio da BAR Honda
23/50
No GP da Espanha, Villeneuve conseguiu levar seu carro até o terceiro lugar e assim levar o carro ao pódio pela primeira vez.

Foto de: British American Racing

2001 - Honda equipa a Jordan
2001 - Honda equipa a Jordan
24/50
A Jordan teve relação estreita com os japoneses nos anos 90, quando chegou a vencer corridas com os motores Mugen-Honda, empresa do filho do criador da Honda. A nova parceria não rendeu.

Foto de: Jordan Grand Prix

2002 - Mais decepções
2002 - Mais decepções
25/50
No ano em que parecia que a BAR Honda iria engrenar, o time não conseguiu nenhum pódio sequer.

Foto de: British American Racing

2002 - Último ano com a Jordan
2002 - Último ano com a Jordan
26/50
A parceria se encerrou após um ano de abandonos causados por falhas nos motores da fabricante japonesa.

Foto de: Honda GP

2003 - Chegada de Button e mais decepções
2003 - Chegada de Button e mais decepções
27/50
A chegada do piloto que seria responsável pelos melhores resultados da equipe não foi suficiente para melhorar a campanha da BAR Honda.

Foto de: LAT Images

2004 - O ano dos pódios
2004 - O ano dos pódios
28/50
O grande destaque da temporada foi Jenson Button que subiu ao pódio em dez das 18 provas do ano. Button foi o terceiro colocado no mundial, atrás apenas dos pilotos da Ferrari.

Foto de: LAT Images

2004 - Pódio de Takuma Sato nos EUA
2004 - Pódio de Takuma Sato nos EUA
29/50
O protagonista pode ter sido Button, mas 2004 se tornou inesquecível para a Honda, pois foi o ano em que pela primeira e única vez, um piloto japonês subiu ao pódio com a Honda.

Foto de: LAT Images

2005 - Nova decepção
2005 - Nova decepção
30/50
Com o sucesso na temporada anterior, esperava-se que a BAR Honda pudesse enfim desafiar os times de ponta, o que não aconteceu. No fim do ano a BAR deixou de existir.

Foto de: XPB Images

2006 - Honda assume com grandes ambições
2006 - Honda assume com grandes ambições
31/50
A marca japonesa comprou a fábrica da BAR em Brakley e trouxe Rubens Barrichello da Ferrari para se somar a Button. O ano foi proveitoso para a equipe que fechou o ano em quartana tabela.

Foto de: XPB Images

2006 - Início com pole
2006 - Início com pole
32/50
O ano começou bem para a Honda, com a pole na Austrália e várias outras provas largando nas três primeiras filas.

Foto de: XPB Images

2006 - Vitória Histórica
2006 - Vitória Histórica
33/50
Apesar das boas classificações, a Honda só subiu ao pódio três vezes na temporada. O grande momento da marca, foi a vitória de Jenson Button na Hungria.

Foto de: Sutton Motorsport Images

2006 - Primeira e última
2006 - Primeira e última
34/50
A vitória na Hungria foi a primeira da Honda em 2006 e a última da marca como equipe. Ao todo, a Honda conquistou três vitórias com carro próprio: México 1964, África do Sul 1967 e Hungria 2006.

Foto de: Steve Etherington / Motorsport Images

2006 - Super Aguri Honda
2006 - Super Aguri Honda
35/50
Os planos ambiciosos da Honda ainda envolveram a estréia da Super Aguri, outra montadora japonesa que era equipada com motores da Honda e servia como uma parceira estratégica.

Foto de: XPB Images

2007 - O início do fim
2007 - O início do fim
36/50
Mais uma vez, a Honda apostava alto impulsionada por uma temporada anterior muito boa. No entanto, a equipe fez péssima temporada e acabou o ano com apenas 6 pontos.

Foto de: Gareth Bumstead

2007 - Super Aguri
2007 - Super Aguri
37/50
Se em 2006 a novata japonesa foi última no campeonato, a segunda temporada do time representou um avanço pois foi a penúltima do grid, com 4 pontos, dois a menos do que a Honda.

Foto de: LAT Images

2008 - Falência da Super Aguri liga sinal de alerta
2008 - Falência da Super Aguri liga sinal de alerta
38/50
A equipe chegou a fazer algumas provas, mas as dívidas se acumularam e a empresa fechou as portas no meio do ano.

Foto de: XPB Images

2008 - Honda também deixa F1
2008 - Honda também deixa F1
39/50
A última temporada da marca japonesa com equipe própria foi marcada por resultados modestos. A crise global pesou para saída da Honda, que praticamene abandonou a fábrica no fim do ano.

Foto de: XPB Images

2008 - Último pódio com carro próprio
2008 - Último pódio com carro próprio
40/50
Barrichello conquistou o último pódio do time em Silverstone. A Honda só voltaria ao pódio com Max Verstappen em 2019.

Foto de: XPB Images

2009 - O sucesso que não foi
2009 - O sucesso que não foi
41/50
A Honda abandonou a F1 de forma repentina. Para manter as operações, Ross Brawn, então diretor da equipe, comprou a fábrica e todos os equipamentos por valor simbólico e fundou a Brawn GP.

Foto de: XPB Images

2009 - O sucesso que não foi
2009 - O sucesso que não foi
42/50
Coma saída total da Honda, Ross Brawn precisou comprar motores Mercedes no 'fiado'. A parceria deu certo e a equipe foi campeã mundial. A Mercedes comprou a equipe no fim do ano.

Foto de: XPB Images

2015 - O terceiro retorno
2015 - O terceiro retorno
43/50
A Honda voltou pela terceira vez para a categoria, dessa vez refazendo parceria com a McLaren de Fernando Alonso. No entanto, o motor híbrido japonês não foi bem sucedido.

Foto de: Alastair Staley / Motorsport Images

2016 - Os fracassos se acumulam
2016 - Os fracassos se acumulam
44/50
Nem com os quintos lugares de Alonso em Mônaco e nos Estados Unidos a McLaren Honda conseguiu se levantar. Falta de potência e de confiabilidade foram os grandes problemas

Foto de: McLaren

2017 - Fim do amor
2017 - Fim do amor
45/50
Com mais problemas nos motores Honda, a McLaren e Fernando Alonso perderam a paciência e o contrato foi rompido no final da temporada.

Foto de: LAT Images

2018 - Novos ares, resultados promissores
2018 - Novos ares, resultados promissores
46/50
A Toro Rosso assumiu o desafio de servir como campo de testes da Honda e a nova parceria rendeu frutos. Pierre Gasly foi quarto no Bahrein e apesar de não somar muitos pontos, a união funcionou.

Foto de: Andrew Hone / Motorsport Images

2019 - O laboratório
2019 - O laboratório
47/50
Em 2019 a Honda passou a equipar a equipe principal da Red Bull e a Toro Rosso passou a ser constantemente utilizada como espaço para testar as melhorias dos japoneses.

Foto de: Mark Sutton / Motorsport Images

2019 - A redenção
2019 - A redenção
48/50
A Red Bull Honda conseguiu três pódios até o momento nesta temporada. O grande momento, foi a vitória de Verstappen no GP da Áustria

Foto de: Steven Tee / Motorsport Images

2019 - Lavando a alma com champagne.
2019 - Lavando a alma com champagne.
49/50
A Red Bull fez questão de enviar Toyoharu Tanabe ao pódio para estourar a champagne junto de Verstappen. Enfim os japoneses voltaram ao seu lugar na F1. O desafio agora é manter a forma.

Foto de: Joe Portlock / Motorsport Images

Honda Racing
Honda Racing
50/50
Os números da marca japonese na F1: 73 vitórias, 177 pódios, 77 poles, 62 voltas mais rápidas e 6 títulos mundiais de construtores, sendo 2 com a Williams e 4 com a McLaren.

Foto de: XPB Images

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