Brasileiros e 'guerra' de montadoras: 5 motivos para não perder a maratona da Fórmula E em Berlim

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Brasileiros e 'guerra' de montadoras: 5 motivos para não perder a maratona da Fórmula E em Berlim
Por:
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Di Grassi, Massa e Sette Câmara iniciam maratona de seis provas nesta quarta-feira

Mais de cinco meses após a última etapa, a Fórmula E volta às pistas nesta quarta-feira para o começo do fim da temporada 2019/20. E a categoria organizou uma verdadeira maratona para as equipes: ao longo de nove dias, serão disputadas seis provas em três traçados diferentes na pista do aeroporto Tempelhof, em Berlim.

Com apenas cinco provas realizadas até aqui, há muito em jogo na maratona de berlinense, com a disputa pelo campeonato ainda em aberto. Por isso, o Motorsport.com cinco motivos para você não perder o retorno da temporada.

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Três brasileiros na pista

A temporada recomeça com diversas novidades, incluindo uma para os brasileiros. Enquanto Lucas di Grassi e Felipe Massa seguem na categoria, correndo pela Audi e Venturi, respectivamente, a novidade é Sérgio Sette Câmara, que fará sua estreia na F-E. O mineiro, que é piloto reserva da Red Bull e da AlphaTauri na Fórmula 1, será titular da equipe Dragon.

Sette Câmara ocupará a vaga deixada por Brendon Hartley, que saiu da equipe durante a paralisação causada pela pandemia. O brasileiro já era piloto reserva do time e correu com o carro da F-E no teste de novatos feito em Marraquexe no começo de março.

Enquanto isso, os dois veteranos brasileiros estão em situações muito diferentes: di Grassi é o quinto no mundial de pilotos, com um segundo lugar em Diriyah como melhor resultado na temporada. Já Massa é apenas o 19º, tendo pontuado apenas em Santiago, quando terminou em 9º. Seu companheiro de equipe, Edoardo Mortara, é o 7º. com 32 pontos.

Em coletiva organizada pela CBMM, os brasileiros falaram sobre as expectativas para a maratona.

"Acho que nunca participei de uma 'maratona' como esta”, disse Massa. “A preparação mental será o mais importante, será fundamental estar focado e concentrado. Estamos acostumados, dentro da Fórmula E, a fazer tudo em um único dia, treinos, classificações e corrida. Agora, vai ser ainda mais corrido, com reuniões seguidas, tudo isso acontecendo nos nove dias. Não vai ser fácil. A parte física não vai pesar tanto, muitos pilotos conseguiram aproveitar o tempo parado para se exercitar, mesmo com academias fechadas", comentou.

Lucas di Grassi, campeãpo da temporada 2016/2017, falou sobre o ambiente das corridas.

"O ambiente vai lembrar o de treino, com poucas pessoas e sem a presença de torcida e mídia. Acho que isso vai passar quando a gente colocar o capacete pra valer. Controlar o estresse será fundamental, isso conta mais do que o físico. É uma prova de 45 minutos mais uma volta e a disputa vai ter grande interferência desta parte mental. Vai ser necessário poucos erros nestes dias, concentração total e motivação de todos. A parte física não vai influenciar tanto, acho que nunca treinei tanto como nestes últimos meses, consegui manter o nível que estava antes da parada", disse di Grassi.

Novas e velhas caras no grid

Sette Câmara na Dragon não é a única novidade do grid. Durante a longa paralisação, o grid da categoria passou por mudanças consideráveis. A mais notável foi a saída de Daniel Abt da Audi após a polêmica envolvendo o piloto durante o torneio virtual da categoria, no qual o alemão colocou um piloto profissional de eSports para correr em seu lugar.

Com isso, a dupla mais duradoura da F-E foi dissolvida após seis anos. Abt corria ao lado de di Grassi desde o início do campeonato, em 2014. Mas o alemão já arrumou uma nova casa para a maratona: ele substituirá Ma Qing Hua na NIO 333.

René Rast, campeão do DTM pela Audi, assumiu a vaga de Abt na equipe germânica. Rast tem uma breve experiência na categoria, tendo participado do ePrix de Berlim na temporada 2015/16, correndo pela Super Aguri. Coincidentemente, Rast correu no único ePrix de Berlim que não foi realizado no Tempelhof.

Na Jaguar, James Calado perdeu o contrato no meio da temporada e será substituído por Tom Blonqvist em Berlim. Este correrá ao lado de Mitch Evans, atual segundo colocado no campeonato.

Enquanto isso, na Mahindra, Alex Lynn entrou no lugar de Pascal Wehrlein, que anunciou em maio a rescisão de seu contrato com com efeito imediato. O alemão, que já correu na F1, deve assinar com a Porsche para a próxima temporada, substituindo Neel Jani.

Bicampeão em má fase

Jean-Éric Vergne, único bicampeão da categoria até o momento, está em uma temporada difícil enquanto tenta defender suas conquistas das temporadas 2017/18 e 2018/19. O francês da DS Techeetah é apenas o oitavo na classificação, graças ao terceiro lugar obtido no ePrix de Marraquexe, última prova antes da paralisação.

Nas cinco etapas da temporada, Vergne abandonou duas (Diriyah 1 e Santiago), terminando em oitavo em Diriyah 2 e em quarto no México. Ele ainda não está fora da disputa, já que está a 36 pontos de seu companheiro de equipe, o líder António Félix da Costa. Ainda há 180 pontos em disputa.

Briga aberta entre pilotos e equipes.

Com tantos pontos em jogo e mais da metade do campeonato pela frente, ainda é muito cedo para determinar os favoritos para a disputa pelo título, já que, tradicionalmente, a F-E tem um grid muito mais equalizado que outras categorias. Porém, nesta temporada, alguns pilotos e equipes se sobressaíram nas primeiras etapas.

Apesar de ter entrado como favorito para o tricampeonato, Vergne acabou perdendo espaço para seu companheiro de Techeetah, Félix da Costa, que lidera o campeonato no momento, com 67 pontos, incluindo uma vitória em Marraquexe e dois segundos lugares em Santiago e no México.

“Cheguei aqui com pequena vantagem e, claro, é melhor estar na frente que atrás, mas temos muitos pontos ainda para disputar. Já vimos pilotos serem campeões tirando vantagens muito maiores que a que eu tenho agora”, disse o português. “Consigo ver 10 ou 15 caras que podem dar trabalho, essa longa parada também permite que equipes com muito talento e ótimas equipes de engenharia cresçam: Mercedes, Audi, BMW, Porsche, a própria Venturi, que está ligada à Mercedes. Vamos ver evoluções de várias equipes e pilotos, então será ainda mais competitivo.”

Em segundo, a 11 pontos de Félix da Costa, está Evans, da Jaguar. Em sua quarta temporada com a equipe britânica, ele é um dos responsáveis pelo crescimento da montadora nos campeonatos recentes. Na disputa atual, tem uma vitória no México e um terceiro lugar em Santiago.

Alexander Sims colocou a BMW no terceiro posto, mas já está a 21 pontos de Félix da Costa. Abandonos em Santiago e Marraquexe colocaram o britânico em uma situação complicada, mas sua boa performance em Diriyah, com uma vitória na segunda corrida, o mantiveram na disputa.

Seu companheiro de BMW, Maximilian Günther, ocupa o quarto lugar, tendo pontuado apenas em duas provas, com a vitória em Santiago e o segundo lugar em Marraquexe. Ele precisa ser mais consistente na pontuação se quiser se colocar de fato na disputa pelo título.

Por mais que esteja em sua temporada mais difícil na F-E até o momento, di Grassi sabe muito bem como se recuperar no campeonato, tendo terminado em segundo na temporada 2017/18 e em terceiro na 2018/19.

E o brasileiro da Audi tem um ótimo histórico correndo em Berlim, na casa de sua equipe: uma vitória, quatro pódios e uma vitória 'revogada' por desclassificação na primeira temporada. Por isso, mesmo em quinto, não podemos descartar o campeão de 2016/17 da disputa.

Apesar de estar apenas em 10º, Sam Bird também não pode ser descartado da disputa. O piloto da DS Virgin, que está com contrato assinado para a Jaguar na próxima temporada, venceu a primeira corrida do atual campeonato e terminou em décimo em Santiago e Marraquexe, com abandonos nas outras provas. Mas Bird é um dos melhores pilotos do grid e, com 38 pontos atrás de Félix da Costa, ainda pode dar a volta por cima.

Entre as equipes, Techeetah e BMW lideram com certo conforto para os demais, com 98 e 90 pontos, respectivamente. A Jaguar está no terceiro posto com 66, a Nissan no quarto com 57 e a Mercedes fecha o top-5 com 56.

A Techeetah consegue se colocar à frente do grande grid de montadoras que a categoria acumulou ao longo dos últimos anos. Além das quatro já mencionadas, a F-E ainda tem a Audi, sexta nos construtores, e a Porsche, que sofre um pouco mais em sua temporada de estreia, sendo apenas a nona entre as equipes.

Uma maratona em Berlim

Todas as provas serão realizadas no espaço do aeroporto Tempelhof, que sempre recebe o ePrix de Berlim. A exceção foi na segunda temporada, quando a prova foi realizada nas ruas do centro da capital alemã.

Mas, para evitar uma sequência de provas iguais, a F-E organizou mudanças na prova a cada duas etapas. Nas corridas de 5 e 6 de agosto, os pilotos correrão no traçado tradicional do ePrix em Tempelhof, mas no sentido inverso da pista.

Já em 8 e 9, as provas serão mais tradicionais, no traçado comum e no sentido em que os pilotos estão acostumados a correr. Para finalizar, em 12 e 13 de agosto, os competidores terão uma versão estendida da pista, com novas curvas no segundo setor.

Ao final dessas seis provas, a F-E conhecerá o campeão da temporada 2019/20. Ainda há muito em jogo e muitos pilotos estão na disputa. Apostas para o título?

Confira os horários das provas do meio de semana em Berlim

Quarta-feira - 5 de gosto Horário (Brasília) Transmissão
Treino Livre 1 4h  
Treino Livre 2 6h30  
Treino de classificação 9h15 Fox Sports 2
Jaguar I-Pace eTrophy 11h45 Fox Sports 2
Corrida - F-E 14h Fox Sports 2
     
     
Quinta-feira - 6 de agosto Horário (Brasília) Transmissão
Treino Livre 6h30  
Treino de classificação 9h15 Fox Sports 2
Jaguar I-Pace eTrophy 11h45 Fox Sports 2
Corrida - F-E 14h Fox Sports 2

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Sobre esta matéria

Categoria Fórmula E
Evento ePrix de Berlim
Autor Guilherme Longo