Horner alerta F1 que equipes podem deixar de disputar GPs se teto orçamentário não for ajustado

Mas equipes de menor estrutura se posicionam contra medida, defendendo que times de ponta usarão medida para desenvolver seus carros

Horner alerta F1 que equipes podem deixar de disputar GPs se teto orçamentário não for ajustado
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O aumento galopante dos custos de transporte e logística, além da inflação, preocupam as equipes da Fórmula 1, especialmente em uma era de limitação de gastos anuais. Por isso, Christian Horner, chefe da Red Bull, tratou de alertar a categoria: se o teto orçamentário não for ajustado à nova realidade, as equipes podem não conseguir participar de todos os GPs de 2022.

Desde 2021, as equipes da F1 estão sujeitas a um limite de gastos, visando criar uma situação mais igualitária no grid. No atual contexto econômico, a inflação alta e custos crescentes de logística, alguns temem que o limite estabelecido para 2022 (140 milhões de dólares) não comporte todos os gastos da temporada.

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Para Horner, os temores chegam até a possibilidade da maioria das equipes pularem GPs para não estourarem esse teto

"Acredito que sete das equipes provavelmente teriam que perder as quatro últimas corridas para operar dentro do limite deste ano. Não são apenas as grandes equipes. São também as intermediárias, que lutam com a questão da inflação", disse.

A Red Bull, que lidera os dois mundiais, esteve no centro de um debate iniciado por Mattia Binotto, chefe da Ferrari, sobre o teto orçamentário, diante das muitas mudanças já feitas no RB18 desde o começo do campeonato. Horner acredita que, de qualquer forma, a FIA deve agir para resolver essa situação, aumentando o limite.

"A FIA tem o dever de cuidar. Eu sei que eles levam isso a sério. As contas de energia, custo de vida, taxas estão aumentando exponencialmente, e a F1 não está isenta disso. O frete quadruplicou, e isso não é algo que podemos controlar".

Essa situação foi evidenciada durante a semana do GP da Austrália, quando uma missão de resgate precisou ser organizada para evitar que a F1 tivesse um destino similar ao da MotoGP na Argentina, quando o Mundial precisou cancelar o primeiro dia de atividades em Termas de Río Hondo devido a problemas na chegada do frete.

Paul Fowler, vice-presidente de logísticas de automobilismo da DHL, empresa parceira da F1, falou sobre o aumento no custo do frete à época: "Há quase uma guerra de lances agora. Os valores de containers da Europa para a Ásia e para a Europa de volta que antes custavam cerca de 900 dólares agora custam 20 mil dólares".

A posição da Red Bull parece ter apoio de Ferrari, Mercedes e McLaren, enquanto equipes de estruturas mais modestas, como Alfa Romeo, Alpine, Haas e Williams teriam se oposto a uma proposta do tipo feita no mês passado, que ajustaria o teto à inflação, conforme os números estabelecidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O temor das equipes de meio e fim do pelotão é que as fabricantes mais ricas estejam aproveitando o contexto econômico para tentar encontrar uma margem nos gastos de desenvolvimento. A maioria dos times mais modestos operam com um orçamento que já está abaixo do teto e, portanto, qualquer aumento não as beneficiaria diretamente.

"Estabelecemos nossos orçamentos cedo, meio que antecipando a inflação', explicou o chefe da Alpine, Otmar Szafnauer. "A inflação não pegou as pessoas de surpresa. Se a antecipamos, é claro que os outros também poderiam ter feito. Não sou a favor do aumento".

"Quando o custo de transporte aumenta em 2 ou 3 milhões de dólares, mas seu orçamento de desenvolvimento é de 20 milhões, você pode transformá-lo em 17 e ficar abaixo do limite. É possível".

"O que acontece é que você fica com seu desenvolvimento limitado. Então é muito mais fácil, se você tiver dinheiro, ir à FIA e fazer lobby para aumentar o limite e manter o mesmo orçamento para evoluir o carro".

Citado pela BBC, um porta-voz da Aston Martin disse: "Apoiamos um aumento no teto orçamentário de acordo com a inflação, mas não vemos a necessidade de um aumento maior do que isso".

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