O encontro com a morte: pilotos passam por experiência inédita em Hungaroring

Pela primeira vez na história, a Fórmula 1 tem um grid que jamais testemunhara um óbito, mesmo com todo o trabalho já feito em benefício da segurança do esporte

O encontro com a morte: pilotos passam por experiência inédita em Hungaroring
A família de Jules Bianchi no paddock: Tom, Philippe e Christine Bianchi - irmão, pai e mãe, nesta ordem
A família de Jules Bianchi no paddock: Tom, Philippe e Christine Bianchi - irmão, pai e mãe, nesta ordem
The Sahara Force India F1 VJM08 exibe homenagem a Jules Bianchi
Sebastian Vettel, Ferrari, com Philippe Bianchi, pai de Jules Bianchi
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi, Kimi Raikkonen, Scuderia Ferrari
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi, Sergio Perez, Sahara Force India
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi Kimi Raikkonen, Scuderia Ferrari
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi, Sebastian Vettel, Scuderia Ferrari
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi, Jenson Button, McLaren Honda e Pastor Maldonado, Lotus F1 Team
Pilotos durante minuto de silêncio em memória de Jules Bianchi, Pastor Maldonado, Lotus F1 Team
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Desde o início, a Fórmula 1 convive com a sombra da morte rondando a cada GP. Até hoje, foram 37 em toda sua rica história, sem contar as edições em que aconteciam as 500 Milhas de Indianápolis e quando só pilotos ligados à USAC podiam competir. Na década de 1970, a expectativa de óbito era muito grande e quem começava o ano, muitas vezes não terminava. A morte de Riccardo Paletti, em 1982, no GP do Canadá, marcou a última fatalidade durante uma prova antes de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna. Já em 1994 o grid era composto em sua maioria por pilotos que nunca haviam testemunhado um acidente fatal na Fórmula 1. A única exceção era Andrea De Cesaris, que esteve em Ímola e que também havia participado da etapa canadense no início da década anterior.

Com o tempo, a sensação de segurança, como super-homens, foi aumentando, já que a categoria investiu muito tempo e dinheiro na melhoria da segurança e 21 anos depois do fatídico GP San Marino de 1994, a Fórmula 1 viu um competidor falecer em decorrência de uma acidente durante uma prova.

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Todo o grid já havia mudado e, de certa forma, os pilotos foram perdendo a percepção dos riscos, até desafiando o perigo, como a declaração feita por Kimi Raikkonen há algumas semanas, quando disse que a Fórmula 1 poderia ser mais perigosa.

Mas será que os pilotos da atual geração foram tomados pela sensação de que "nada vai acontecer comigo"? Como estava o clima entre eles no fim de semana do primeiro GP pós-morte de Jules Bianchi? 

O piloto da Red Bull, Daniel Ricciardo,falou sobre se imaginava presenciar uma morte na pista: "Para ser honesto, não. Com o tempo vocês esquece dessas coisas, você sabe dos riscos, mas também sabe que o esporte desenvolveu muito a segurança e acaba esquecendo dos riscos." Mesmo assim, o piloto australiano ressaltou que a segurança é um tema recorrente nas reuniões da GPDA: "Conversamos bastante sobre isso nas reuniões da GPDA. Os pilotos mais experientes conseguem ver algo, como a posição de uma barreira na pista, por exemplo. Quando se é mais novo você acha que nunca vai acontecer e só quer saber de correr. Mas ainda há muitas pessoas tentando tornar esse esporte o mais seguro possível."

O companheiro de Ricciardo, Daniil Kvyat, teve que ser acalmado por Christian Horner antes do GP da Hungria deste domingo após as homenagens à Bianchi antes do início da prova, como o Motorsport mostrou na segunda-feira.

O clima realmente era diferente dentro dos vários ambientes em Hungaroring. A cada entrevista, uma lembrança do amigo que se foi. Ao falar sobre a performance do carro, uma lembrança: "Pra mim é difícil falar algo, perdi um amigo. Quando aconteceu o acidente, fiz uma oração pedindo a Deus para que ele voltasse o mais rápido possível , mas infelizmente é a vida. É muito difícil, é chocante, mas é a vida. Agora é tentar manter o foco em fazer algo bom na pista em respeito a sua memória," disse Pastor Maldonado, da Lotus.

Quem também quis homenagear o amigo Jules Bianchi com boas atuações foi Felipe Massa:"Durante a prova estive sempre pensando nele, toda hora pedindo proteção, enfim, não foi um momento fácil para nós. Tentei dar o meu melhor na pista por ele."

Para a maioria dos pilotos as circunstâncias que levaram à morte de Jules foram atípicas: "Foi um acidente único, com certeza. Talvez se fosse somente uma barreira de pneus ele estaria bem agora, mas temos que olhar para frente e se certificar de que não haverá nenhum outro tipo de obstáculo que poderá trazer o mesmo resultado," disse Ricciardo.

Todos os pilotos ouvidos pelo Motorsport.com fizeram questão de ressaltar como a segurança melhorou nos últimos anos. Mesmo assim, Will Stevens, da Manor, alertou: "Isso sempre será assim, é impossível termos um esporte 100% seguro. Mas basta ver como nos últimos 15 anos como a segurança melhorou."

O fato deixou até mesmo Fernando Alonso, um dos mais experientes do grid atual, chocado: "Estou há muitos anos na F1. Uma fatalidade como essa em Suzuka no ano passado foi a primeira perda em minha carreira. Definitivamente esse é um momento muito triste."

A palavra de quem esteve lá

Jornalista do Motorsport.com, Jonathan Noble também deu seu depoimento do primeiro final de semana após a morte de Bianchi. Para o britânico, foi muito emocionante ver a família de Bianchi na pista.

"O que eu diria é que a Fórmula 1 voltou à ativa com o coração pesado. Como todos sabemos, a vida continua", iniciou.

"Mas as coisas realmente se tornaram difíceis emocionalmente quando a família de Jules chegou. Foi muito corajoso da parte deles ir a um GP logo depois do funeral. Espero que eles tenham conseguido tirar muitas forças de todas as homenagens feitas pela comunidade da F1."

A CARREIRA DE BIANCHI EM IMAGENS

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