Schumi faz 53 anos: relembre estreia de alemão na F1, com brilho e 'mentira'

Veja como uma 'malandragem' do agente de Michael permitiu que o piloto brilhasse para se destacar como uma das maiores promessas da categoria

Schumi faz 53 anos: relembre estreia de alemão na F1, com brilho e 'mentira'
Carregar reprodutor de áudio

Nesta segunda-feira, Michael Schumacher, heptacampeão mundial da Fórmula 1, faz 53 anos. Tido como um dos melhores pilotos da história da categoria, o alemão brilhou com dois títulos pela Benetton e comandou a 'era de ouro' da Ferrari entre 2000 e 2004, quando enfileirou cinco taças.

O que poucos sabem, porém, é que a estreia de 'Schumi' na elite do esporte a motor global, no GP da Bélgica de 1991 pela Jordan, se deu através de uma 'malandragem' do seu agente, o também germânico Willi Weber.

Leia também:

O magnífico circuito de Spa-Francorchamps é um dos mais adorados na F1, sendo palco de diversos momentos memoráveis na história da categoria. E após brilhar na Fórmula Ford 1600, Schumacher foi notado por Weber, que tinha uma equipe na F3 alemã, a WTS Motorsport. Após fazer com que ele andasse em um de seus carros, Weber sabia que tinha em mãos uma joia rara, concordando em financiar a carreira de seu protegido.

O início

Poucos meses mais tarde, Jochen Neerpasch, diretor de competições da Mercedes, criou uma equipe júnior para provas de endurance e, acima de tudo, com foco em um possível programa de F1. Em 1990, Schumacher também correu na F3. Mas foi a bordo de um protótipo Sauber-Mercedes C11, com um motor V8 turbo de 5 litros e 370 cavalos de potência, que começou a se destacar, tendo um companheiro de equipe muito experiente no Mundial de Carros Esportivos: Jochen Mass.

Um ano depois, ele seguia concentrado nas provas de endurance. Após competir nas 24 Horas de Le Mans, Schumacher foi disputar uma prova de F3000 em Sugo, no Japão. Ele terminou em segundo e Weber recebeu ofertas de Footwork e Tyrell na F1, mas recusou.

De todo modo, a verdadeira chance surgiu para Weber em 15 de agosto de 1991, quando soube que Bertrand Gachot, piloto da Jordan, havia sido condenado a 18 meses de prisão por jogar spray de pimenta na cara de um taxista em Londres após uma briga. Como isso era considerado ilegal no Reino Unido, Gachot foi parar atrás das grades e Eddie Jordan se viu à caça de um piloto para o GP da Bélgica, que seria realizado em Spa.

Se aproveitando da situação

Weber liga para Eddie Jordan e diz que tem o homem certo para pilotar seu carro. Jordan pergunta quem é e Weber orgulhosamente anuncia o nome de Michael Schumacher. "Não sei...", respondeu Jordan, sem rodeios, perguntando se ele já havia andado em Spa. "Cem vezes", mentiu Weber.

Jordan ainda exigiu uma boa soma de dinheiro para que Schumacher ocupasse o assento do carro verde. A Mercedes concordou em financiar a operação, mas não quis aparecer. O espaço publicitário reservado foi, portanto, transferido para os outros patrocinadores de Schumacher: Dekra e Tic Tac.

Na semana anterior à corrida, o alemão de 22 anos foi apresentado à F1 em um teste em Silverstone, próximo da sede da Jordan. Schumacher não perdeu tempo e logo foi buscar os limites do carro, tanto que Trevor Foster, chefe da equipe, interrompeu a sessão para dar uma bronca.

"Michael, calma, vá devagar! Este é o carro que você vai pilotar neste fim de semana, então não o danifique!". Mas Schumacher ignorou a instrução, seguindo muito rápido e fazendo voltas voadoras, como se fosse algo normal para ele.

Uma palavra que mudou tudo

Na quinta pela manhã, ele descobriu a 'montanha-russa' de Spa, dando duas voltas no circuito de bicicleta. Parecia ser o suficiente... Jordan queria que Schumacher assinasse um contrato de três anos antes mesmo dos primeiros treinos livres, mas ele respondeu que não queria fazer nada antes do GP.

Ambos concordaram com a redação de uma carta de intenções. Schumacher enviou um documento por fax e, algumas horas depois, devolveu a carta, substituindo "o contrato será assinado" por "um contrato será assinado", que não especificava que seria com Eddie Jordan.

Nos treinos livres de sexta, Schumacher ficou a apenas meio segundo de seu companheiro de equipe, Andrea de Cesaris. Na classificação, superou o italiano, colocando a Jordan-Ford em sétimo, contra a 11ª posição do parceiro. Um feito que chamou a atenção de todos.

No entanto, a corrida de Schumacher, que marcou sua estreia na F1, durou apenas 300 metros. No início, sua Jordan 'saltou' para a frente e ele lutou por posições na curva Source. Mas, alguns metros adiante, a embreagem o deixou na mão.

A caminho da Benetton

Dias depois, Schumacher teria outra sessão com a Jordan. Mas foi aí que a situação complicou para Eddie. O alemão não apareceu como era esperado para assinar seu contrato e o dirigente ficou sabendo através dos advogados da Mercedes que sua carta de intenção não era válida.

Nesse meio tempo, Tom Walkinshaw e Flavio Briatore negociam para colocar o prodígio a caminho da Benetton. Com isso, Schumacher disputou o GP da Itália em Monza a bordo de uma Benetton-Ford e, mais uma vez, eclipsou totalmente seu companheiro de equipe, o tricampeão mundial Nelson Piquet, do Brasil. Assim, a lenda Michael Schumacher iniciava sua trajetória vitoriosa na categoria que o consagrou para o mundo.

Esnobado por Senna, Felipe Massa usou episódio para dar lição em Schumacher

Assine o canal do Motorsport.com no YouTube

Os melhores vídeos sobre esporte a motor estão no canal do Motorsport.com. Inscreva-se já, dê o like ('joinha') nos vídeos e ative as notificações para ficar por dentro de tudo o que rola em duas ou quatro rodas.

Podcast #155 - Piores da F1 2021: Quais pilotos/equipes decepcionaram? Masi é consenso?

 

SIGA NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

compartilhar
comentários
F1: AlphaTauri quer 'moderar' linguajar de Tsunoda na próxima temporada
Artigo anterior

F1: AlphaTauri quer 'moderar' linguajar de Tsunoda na próxima temporada

Próximo artigo

F1: Mick, Ferrari e Todt homenageiam Schumacher por aniversário nas redes

F1: Mick, Ferrari e Todt homenageiam Schumacher por aniversário nas redes