Conheça o projeto de Galvão Bueno para voltar a narrar Fórmula 1

Cacá Bueno, pentacampeão da Stock, é quem faz a “curadoria” de novo projeto daquele que foi a voz da F1 por mais de quatro décadas

Galvão Bueno e Cacá Bueno

Galvão Bueno começou seu canal no YouTube no início do ano já com um evento de peso, o amistoso da Seleção Brasileira contra a do Marrocos no dia 25 de março. Em pouco tempo, seu novo espaço já possui 725 mil inscritos, com a partida que deu o pontapé inicial chegando a 9,5 milhões de visualizações.

Recentemente, reportagens davam conta que o canal do agora ex-narrador da Rede Globo tentará trazer para o principal serviço de streaming do mundo as corridas da Fórmula 1 e da Stock Car. Segundo o site Notícias da TV, três corridas estão nos planos em 2023, sendo uma delas o GP de São Paulo, em Interlagos.

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O Motorsport.com conversou com exclusividade com a pessoa incumbida de levar o conteúdo do esporte a motor ao canal, que, na verdade é o seu filho, o pentacampeão da Stock Car, Cacá Bueno.

“Meu pai me deu uma missão, não foi um convite, ele falou em alguns podcasts que faríamos algo juntos sobre automobilismo e só depois é que a gente conversou”, disse Cacá durante o fim de semana da Stock em Goiânia. “Meu pai, nesta nova fase, animado por fazer tudo, ele falou ‘eu adoraria voltar às minhas raízes, tenho DNA de automobilismo que não queria perder e queria fazer alguma coisa’, e essa missão foi jogada no meu peito, como um ‘se vira aí’ atrás dos conteúdos, anunciantes e formatos.”

Tamanho sucesso em tão pouco tempo tem uma explicação para Cacá, que exaltou o talento do pai na linguagem que atrai telespectadores de todas as idades.

“Acho que o Galvão serviu para quebrar uma fronteira entre o digital e a TV. Quando você é bom, você é bom, não há barreira. Ele pegou o conteúdo que fazia na TV e agora tem um outro lugar para assistir. Ele fala que não precisa falar palavrão, não sabe fazer dancinha, não precisa brincar para atingir os jovens, que faz com qualidade e eles absorveram.

“Ele quer ser um ‘Publisher’ e a missão do automobilismo me foi dada, começamos aceleradamente a trazer parceiros e eu acho que não demora muito para anunciarmos algumas novidades muito legais.”

Mas, o que o grande público está curioso é sobre a possibilidade de Galvão Bueno voltar a narrar a F1, desta vez em seu canal, como já foi ventilado.

“Vocês estão um pouco apressados”, brincou Cacá. “Obviamente, esse é um dos grandes objetivos, mas não acho que isso seja rápido. O canal tem que se estruturar um pouco mais, ter mais anunciantes e parceiros para que isso aconteça.”

“Mas, que anunciante de automobilismo não gostaria de ver uma corrida de F1 narrada pelo Galvão? Acho que temos capacidade comercial para trazer os parceiros para que o retorno financeiro seja interessante para os detentores dos direitos.”

Para Cacá, a F1 vive um momento muito especial em relação à sua popularidade, no Brasil e no mundo e a volta de um dos maiores ícones do esporte no Brasil seria a cereja do bolo.

“É uma fase muito legal da F1 e que faltam frases emblemáticas do Galvão, como ‘chegar é uma coisa, passar é outra’. Esse tipo de coisa os jovens vão adorar e existe uma memória afetiva gigantesca com quem tem mais de 35 anos.”

Independentemente das transmissões, Cacá adianta que o canal terá programas sobre esporte a motor.

“No digital, você pode ir mais além, não é um minuto e meio no Globo Esporte para passar esse conteúdo, você pode usar meia-hora. Vocês fazem um trabalho no Motorsport.com genial, explicando a parte de engenharia, do motor, de previsão, eu sou um consumidor e, admito, vocês são minhas fontes para muitas coisas que eu falo no meu conteúdo. Sem dúvida, você tem mais espaço e você também tem que lançar isso de uma forma mais estruturada, para que o fã de automobilismo não vá apenas ver a corrida do Galvão, mas que ele possa acompanhar um pouco de tudo.”

Cacá Bueno e Galvão Bueno

Cacá Bueno e Galvão Bueno

Photo by: Bruno Terena

Legislando em causa própria?

Outra grande atração que pode estar no Canal GB é a Stock Car, no que poderia ser um reencontro de muitos anos.

“Meu pai narrou poucas corridas minhas, de 2002 a 2004. Ele até fez uma Corrida do Milhão, há uns três ou quatro anos, eu não fui bem na corrida, ele ficou um pouco chateado, e se a gente planeja fazer conteúdo de motorsport, dentro de um canal em que a responsabilidade de fazer a curadoria do conteúdo é minha, eu começo com as coisas que estou dentro.”

“Então, quem sabe eu faça com o Galvão um canal de opinião e conteúdo de F1, não de transmissão, quem sabe eu faça com o Galvão um debate sobre lances polêmicos, curiosidades do automobilismo, quem sabe eu faça um duo, trazendo alguém para contar histórias do automobilismo, mas, ao mesmo tempo, a gente vê um canal que tenha transmissões.”

“Eu participo de duas das maiores categorias do Brasil, a Stock Car e a Endurance Brasil, não estou presente na Porsche Cup, nem na NASCAR Brasil, nem no TCR, mas porque não ter esses conteúdos, que fica mais fácil quando estou dentro e posso legislar em causa própria. Muito antes de ter uma F1 no canal, provavelmente o que a gente vai ver é uma outra categoria, quase como um teste de produção e de dinâmica para ver como funciona.”

Apesar da empolgação de Cacá, ao final da entrevista ele ressalta que os pés ainda estão no chão, demonstrando que é muito mais complexo ter transmissões envolvendo o esporte a motor do que futebol.

“Os passos são esses, não dá para falar que teremos essas transmissões, ainda está tudo na planilha, no Power Point. Não existe nada tão adiantado que eu possa falar ‘vou te contar uma novidade que vai rolar isso daqui a pouco’, ainda não está assim e por isso mesmo, acho que para maturar, o futebol pode estar maduro no canal do Galvão em três semanas, com grandes anúncios em dois meses, o automobilismo vai levar um pouco mais de tempo”, finalizou.

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