Análise
Fórmula 1 GP de Miami

F1: Pérez poderia 'igualar' estratégia de Verstappen em Miami?

Veja análise sobre a batalha estratégica nos Estados Unidos e conheça os principais fatores por trás da 'briga tática' na Flórida

Sergio Perez, Red Bull Racing RB19, Max Verstappen, Red Bull Racing RB19

Pole position na Flórida, Sergio 'Checo' Pérez foi criticado por não ter conseguido manter o primeiro lugar no GP de Miami de Fórmula 1, mas o comportamento dos pneus foi diferente do que todos esperavam na corrida de domingo. O mexicano poderia largar com pneus duros como fez Max Verstappen?

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O holandês da Red Bull começou em nono, mas terminou a prova logo à frente do companheiro. Pérez alinhou na primeira posição ao lado do espanhol Fernando Alonso, da Aston Martin, seguido pela Ferrari de Carlos Sainz, também da Espanha. Eles, bem como o resto do top 7, largaram de médios.

Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19

Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19

Photo by: Jake Grant / Motorsport Images

Esta situação, a longo prazo, parece ter condenado o poleman no resto das 57 voltas. Será? Na largada, o mexicano não conseguiu uma vantagem considerável sobre Alonso, isso enquanto Verstappen recuperava terreno até se colocar na segunda posição na volta 15, após ter se recuperado de nono.

O holandês largou com o composto duro, assim como outros pilotos, incluindo o rival britânico da Mercedes Lewis Hamilton, o que os obrigaria a depois levar os médios até o final da corrida. E isso parecia funcionar para quase todos... Verstappen venceu e Hamilton subiu de 13º para sexto, por exemplo.

O resultado final gerou críticas à Red Bull, com muitos considerando que a estratégia errada havia sido selecionada para o piloto mexicano, mas será mesmo?

A explicação para a estratégia de Pérez em Miami

Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19, Fernando Alonso, Aston Martin AMR23, Carlos Sainz, Ferrari SF-23, Pierre Gasly, Alpine A523

Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19, Fernando Alonso, Aston Martin AMR23, Carlos Sainz, Ferrari SF-23, Pierre Gasly, Alpine A523

Photo by: Andy Hone / Motorsport Images

A cada GP, a Pirelli, fornecedora de pneus, oferece uma previsão das estratégias certas para a corrida. Nesta ocasião, o ideal proposto pela marca era começar com o médio e prolongar sua vida útil até as voltas entre os giros 13 e 20, momento em que deveriam entrar nos boxes para colocar duros e terminar o GP.

Checo manteve esse ideal e fez sua única parada na volta 20, embora já tivesse relatado desgaste nos pneus dianteiros do RB19. No primeiro stint, Pérez mal conseguiu manter vantagem sobre Max quando o holandês já era sexto. A diferença não parecia suficiente considerando que Pérez faria seu pit primeiro.

Após a corrida, o chefe da Red Bull, Christian Horner, explicou à mídia que a estratégia de Checo era a que parecia adequada para a corrida, e inclusive largar com o duro era mais arriscado.

“Houve um risco maior com a estratégia de Max de largar com os duros. De acordo com nossas simulações, era uma opção pior para a corrida, mas pensamos na possibilidade de um safety car, e sua equipe de engenharia quis fazer essa opção e ele fez funcionar mesmo sem o safety car”, disse Horner.

Mas então o que aconteceu com Pérez? Uma chuva que caiu na madrugada de domingo retirou toda a borracha que havia ficado na pista nos dias anteriores, justo em um circuito que, por si só, só tem atividade automobilística com a visita do GP de Miami de F1.

Isso provavelmente afetou mais o pneu médio, que tem menos 'vida' em relação ao duro. O médio precisou de 'mais esforço', pois não havia tanta borracha no asfalto como era previsto.

“Não sei se a chuva da noite afetou mais o médio do que o duro. Mas sim, o médio parecia muito frágil, muito fácil de danificar e é isso que penso agora”, disse Pérez na coletiva pós-corrida.

Havia a possibilidade de largar de duros da pole position? A realidade é que era difícil apostar nisso. Tanto Verstappen quanto o francês da Alpine Esteban Ocon, que também largou com duros entre os 10 primeiros pilotos do grid, perderam posições na primeira volta da Flórida.

Largar com duros, que exigem mais tempo para obter o ritmo (temperatura) ideal, teria sido desafiador para Pérez de imediato, num duelo não só contra Fernando Alonso e Sainz, mas também contra qualquer um que tivesse começado o evento de médios e, por conseguinte, com um ritmo superior na primeira volta.

Max Verstappen, Red Bull Racing RB19, Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19

Max Verstappen, Red Bull Racing RB19, Sergio Pérez, Red Bull Racing RB19

Photo by: Andy Hone / Motorsport Images

Mas para quem pensa em 'tramas' e até considera que Pérez não estava à altura da tarefa, ele mesmo respondeu que se tivesse optado por duros, teria se exposto nas primeiras voltas.

“Quando você larga na pole, largar com os duros é muito mais uma aposta. Pode dar certo com safety cars e, acho que naquele momento, ninguém achava que os médios renderiam tão mal".

O mexicano acrescentou que o erro foi não considerar as mudanças na pista de sábado para domingo, principalmente por causa da chuva.

“Acho que nenhum de nós percebeu o quão 'fraco' o pneu estava. Acho que depois de dar algumas voltas nele, percebemos que era um pneu muito ruim."

“Foi muito difícil. E sim, eu podia ver Max chegando com os duros. A partir daquele momento, eu sabia que a corrida ia ficar difícil."

Nesse período, o mexicano tentou administrar sua borracha tentando levar vantagem sobre os rivais, mas sem desgastá-la, missão na qual não obteve sucesso.

Quando Pérez trocou a borracha, tentou voltar ao jogo, mas Max já havia obtido vantagem. Hamilton usou um set de duros por 37 voltas, Verstappen por 45 voltas e Ocon por 39.

“O Max tinha um ritmo muito forte. Ele veio muito rápido para nós e brigamos um pouco na pista, de forma bastante limpa -- no limite, mas de forma limpa”, disse o mexicano.

Assim, seguir a estratégia de Verstappen para Pérez colocaria o mexicano imediatamente em desvantagem na corrida. O plano de simulação, não só da Red Bull, mas também da Pirelli, era a referência. A situação era tal que a marca italiana nem sequer considerou estratégias ideais adicionais.

No final, Verstappen e sua equipe correram um grande risco e  tiveram uma grande vitória, como ele mesmo admitiu. "Mas é claro, quando você começa com duros, o risco é maior, porque só tínhamos um set, então se você tiver um furo na primeira volta ou algo assim, claro que a corrida se tornaria mais difícil".

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