Red Bull oscilante, Hamilton 'falante' e Ferrari ascendente: veja as sete coisas que aprendemos com o GP da Turquia de F1

Etapa do Istanbul Park escancarou alguns aspectos importantes da parte final da temporada 2021; veja

Red Bull oscilante, Hamilton 'falante' e Ferrari ascendente: veja as sete coisas que aprendemos com o GP da Turquia de F1

O GP da Turquia de Fórmula 1 foi bom para a Red Bull em termos de campeonato, mas o que se viu foi uma clara dominação da Mercedes em termos de performance, com direito a vitória de Valtteri Bottas no Istanbul Park.

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O piloto finlandês conseguiu seu primeiro triunfo em mais de um ano com uma atuação dominante na frente do pelotão mesmo com condições de pista traiçoeiras, garantindo que  o holandês Max Verstappen, da Red Bull, nunca o ameaçasse.

Outro piloto da Mercedes, o britânico Lewis Hamilton largou em 11º por causa de punição pela troca do motor a combustão e teve um dia mais difícil, terminando em quinto após polêmica relativa à estratégia com sua equipe via rádio.

Assim, a tabela teve nova reviravolta, desta vez pró-Verstappen, mas o fim de semana foi de dificuldades para a Red Bull em termos de desempenho, o que pode marcar um ponto de virada em termos de hierarquia no topo do pelotão. Veja sete coisas que aprendemos no GP:

1. Bottas lembrou a F1 de sua qualidade com uma pilotagem dominante

Valtteri Bottas, Mercedes

Valtteri Bottas, Mercedes

Photo by: Steve Etherington / Motorsport Images

Um ano após um GP da Turquia de 2020 em que rodou seis vezes em meio à chuva e ao óleo que saía da pista de Istambul, Bottas voltou a enfrentar o molhado, embora com condições de asfalto melhores, e mostrou sua qualidade ao vencer de forma dominante neste domingo.

A atuação foi boa a ponto de Bottas colocá-la no rol de seus melhores triunfos. Ele herdou a pole em função da penalidade a Hamilton, mas controlou a corrida do início ao fim. Logo abriu vantagem para Verstappen e, daí em diante, não cometeu erros para terminar na ponta.

Além disso, fez duas voltas mais rápidas consecutivas nas últimas duas voltas, provando que tinha ritmo de sobra. Diretor de engenharia de pista da Mercedes, Andrew Shovlin rasgou elogios ao finlandês.

Foi um lembrete importante da qualidade de Bottas, que levará seu talento para a Alfa Romeo em 2022. Além disso, fica claro o importante papel do finlandês para a Mercedes até o fim de 2021, tendo em vista a briga do campeonato de construtores -- e a de Hamilton pelo octa.

2. Mercedes fez o certo em insistir no pit stop de Hamilton

Lewis Hamilton, Mercedes W12

Lewis Hamilton, Mercedes W12

Photo by: Glenn Dunbar / Motorsport Images

O heptacampeão pode não ter gostado, mas a equipe fez o certo em pará-lo para trocar os pneus intermediários em vez de correr o risco de mantê-lo na pista com compostos degradados no fim da corrida.

O chefe da equipe, Toto Wolff, admitiu que o ideal teria sido fazer o pit stop antes, mas Hamilton 'bateu o pé' e o time também achou melhor aguardar um pouco, já que a pista poderia secar mais e permitir a instalação de pneus slicks.

De todo modo, o ritmo final de Esteban Ocon -- o piloto da Alpine terminou a prova com os intermediários com os quais largou -- mostrou que seria um risco não parar Hamilton. Diferentemente do francês, o britânico precisou impor um ritmo forte durante todo o GP.

Se não parasse, Hamilton provavelmente seria ultrapassado por Sergio Pérez e Charles Leclerc sem contar o risco de também perder posições para Pierre Gasly e Lando Norris. Sem contar a possibilidade de rodar ou de ter um estouro de pneus, o que seria ainda pior para seu ano.

Além disso, a Pirelli, fornecedora oficial de pneus da F1, reconheceu que provavelmente Hamilton não conseguiria ir até o final com os pneus da largada, a julgar pelo ritmo do britânico ao longo de toda a corrida.

3. Comunicações de rádio de Hamilton precisam levar em conta o custo/benefício

Lewis Hamilton, Mercedes, Toto Wolff, Mercedes

Lewis Hamilton, Mercedes, Toto Wolff, Mercedes

Photo by: Steve Etherington / Motorsport Images

Wolff minimizou a tensão via rádio no fim do GP da Turquia, dizendo que a Mercedes tem "casca grossa" para entender e lidar com as frustrações do heptacampeão mundial da Fórmula 1.

Já Hamilton usou seu Instagram na segunda-feira para esclarecer que não estava "furioso" com o time, mas alertou que as pessoas não podem esperar que ele esteja calmo durante uma corrida, o que é mais do que legítimo, dado o 'calor' da competição.

De todo modo, a grande questão é rever as comunicações tendo em vista o custo/benefício, especialmente considerando o equilíbrio entre piloto e equipe na hora de tomar decisões cruciais.

Depois da corrida, Hamilton disse que é um "tomador de riscos", por isso apreciou a ideia de ir até o fim sem parar. Agora, para a Mercedes, o negócio é reavaliar tudo e tentar refinar o processo decisório conforme possível.

4. Performance da Red Bull dá sinais de alerta

Lewis Hamilton, Mercedes W12, Sergio Pérez, Red Bull Racing RB16B

Lewis Hamilton, Mercedes W12, Sergio Pérez, Red Bull Racing RB16B

Photo by: Zak Mauger / Motorsport Images

Verstappen se disse satisfeito com o segundo lugar na Turquia, de forma correta. A Red Bull não tinha o ritmo da Mercedes, de modo que a vitória, mesmo no molhado, nunca esteve no radar.

Isso, por si só, é um sinal de alerta para o time austríaco. Após ter uma vantagem frente à Mercedes por meses, parece que o jogo virou. "Teremos de analisar por que não fomos competitivos na Turquia", disse Verstappen.

"Acho que eles apenas evoluíram um pouco. Então, mesmo que agora estejamos na liderança, não será fácil", completou o jovem piloto holandês, que agora tem apenas seis pontos de vantagem ante Hamilton.

O chefe de equipe da Red Bull, Christian Horner, notou particularmente a velocidade de reta da Mercedes. Nesta seara, a equipe da Áustria parecia ter vantagem no começo da temporada.

Entretanto, a Mercedes também tem suas preocupações. Especialmente no que tange à unidade de potência de Hamilton: o motor a combustão foi trocado, mas outros elementos podem 'acusar o golpe'.

5. Brilho de Pérez veio na 'hora errada'

Sergio Pérez, Red Bull Racing

Sergio Pérez, Red Bull Racing

Photo by: Andy Hone / Motorsport Images

O alívio estava claro na voz de Pérez após cruzar a linha de chegada em terceiro na Turquia, onde garantiu apenas seu terceiro pódio na temporada. Foi um resultado mais do que merecido, dada a grande atuação do mexicano em Istambul. 

O companheiro de Verstappen se defendeu de Hamilton brilhantemente e parou na hora certa para manter seus pneus em bom estado, de modo que teve ritmo para passar a Ferrari de Charles Leclerc e terminar em terceiro.

O resultado foi importantíssimo para Pérez, que vinha de uma sequência ruim de corridas nos últimos meses. O ruim é que o pódio turco para o mexicano veio na melhor corrida de Bottas neste ano, de modo que o efeito no campeonato de construtores não foi tão grande assim.

De todo modo, o GP da Turquia foi ótimo para a melhoria da confiança de Pérez após uma queda de forma recente. Em Istambul, ele somou apenas um ponto a menos do que tinha somado nas seis corridas anteriores. E o 'pega' com Hamilton ficará para a história.

6. Recuperação de Sainz mostra boa forma da Ferrari

Carlos Sainz Jr., Ferrari SF21, Esteban Ocon, Alpine A521

Carlos Sainz Jr., Ferrari SF21, Esteban Ocon, Alpine A521

Photo by: Mark Sutton / Motorsport Images

Após a Ferrari ver a McLaren emplacar uma dobradinha em Monza e Norris quase vencer na Rússia, estar a apenas 7,5 pontos da equipe britânica no campeonato de construtores é uma prova da boa forma recente da escuderia italiana. 

Além disso, a corrida de recuperação de Carlos Sainz dá mostras de que o carro vermelho está bem. Depois de largar do fim do grid pela troca de sua unidade híbrida, o espanhol terminou em oitavo e foi eleito o 'Piloto do Dia' na Turquia.

Igualmente impressionante foi a habilidade de Leclerc de se manter no ritmo de Bottas e Verstappen durante a maior parte do primeiro stint no Istanbul Park. O próprio monegasco revelou surpresa pelo rendimento ferrarista.

Tudo isso comprova o bom momento do time de Maranello e, por sua vez, liga o sinal de alerta da McLaren. Especialmente para Daniel Ricciardo: o australiano, aliás, foi eliminado no Q1 do classificatório justamente por Sainz. A briga será ferrenha até o fim do ano.

7. Bons momentos da McLaren parecem cada vez mais dependentes do tipo de pista

Daniel Ricciardo, McLaren MCL35M

Daniel Ricciardo, McLaren MCL35M

Photo by: Zak Mauger / Motorsport Images

Falando em Ricciardo, o próprio piloto disse, na quinta-feira, que ele duvidava que a McLaren poderia enfrentar Mercedes e Red Bull de forma regular. Segundo ele, isso dependeria da pista.

Infelizmente para o australiano, sua suspeita se provou correta no GP da Turquia, bastante complicado para o time de Woking. Norris ainda conseguiu terminar em sétimo, mas o britânico não conseguiu atacar Gasly, tendo sofrido com as curvas longas de Istambul.

No caso de Ricciardo, a eliminação no Q1 e a posterior troca de unidade de potência realçaram as dificuldades do australiano, que ficaram ainda mais evidentes com a boa corrida de Sainz.

"Vi Carlos escalando o pelotão e eu simplesmente não conseguia", admitiu. Na briga contra a Ferrari pelo terceiro lugar entre os construtores, a McLaren precisará maximizar as oportunidades nas seis corridas finais da temporada.

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