GUIA: Com Márquez em nova casa, MotoGP vive 2024 sob expectativa de ‘guerra’ na Ducati e recuperação de Honda e Yamaha
Principal categoria da motovelocidade mundial terá a maior temporada de sua história, com 21 GPs previstos, começando com o Catar em março e terminando em novembro em Valência
Chegou a hora! Neste fim de semana, a MotoGP dá o pontapé inicial da temporada 2024 com o GP do Catar. Assim como nos anos anteriores, a expectativa é de uma belíssima disputa em pista. Mesmo com o domínio da Ducati, a MotoGP ainda consegue entregar uma boa diversidade de vencedores, algo importante para a categoria, que busca repetir a fórmula de sucesso da F1 nos últimos anos.
Mas as expectativas são altas também fora das pistas, com o mercado de pilotos do próximo ano prometendo ser um ponto focal nas discussões. Por isso, o Motorsport.com montou esse guia completo da temporada 2024 da MotoGP para você ficar por dentro de tudo que o ano reserva!
Marc Marquez, Gresini Racing
Photo by: Gold and Goose / Motorsport Images
Márquez estreia na Ducati sob grandes expectativas
Sem dúvidas, o grande assunto deste começo de 2024 é Marc Márquez. Após 11 temporadas com a Honda, o hexacampeão inicia uma nova era em sua carreira, trocando a RC213V pela Desmosedici (de 2023) da Gresini, equipe satélite da Ducati.
Esta é a primeira vez na qual o espanhol não correrá na categoria-rainha com uma moto da montadora japonesa. Mas, nos primeiros contatos com a Ducati, Márquez já vem deixando uma boa impressão e, após a pré-temporada do Catar, afirmou que já está buscando os décimos finais para se aproximar dos ponteiros.
Tendo novamente seu irmão Álex ao lado na equipe, muitos veem Marc como um sério candidato ao título, mesmo tendo em mãos a moto de 2023 da Ducati. Caso entregue a performance forte que muitos esperam dele, o hexacampeão será, sem dúvidas, um forte candidato à segunda vaga na Ducati em 2025, entrando em uma guerra que muitos já esperavam para 2024, antes mesmo de sua chegada.
Francesco Bagnaia, Ducati Team
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Chegada de Márquez e renovação de Bagnaia pode intensificar ‘guerra’ que já era esperada na Ducati
Antes mesmo que fosse confirmada a ida de Márquez para a Gresini, ainda em outubro do ano passado, já havia uma expectativa de um clima tenso na Ducati. Afinal, são oito pilotos para quatro Desmosedicis do ano e apenas duas vagas para a equipe oficial da montadora italiana.
Agora, com Pecco iniciando a temporada com contrato renovado até o fim de 2026, a situação que já precisava de uma atenção especial pode ficar ainda mais tensa.
Com Bagnaia tranquilo, podendo focar na busca pelo tricampeonato, seu companheiro, Enea Bastianini, precisa de um 2024 melhor do que o ano passado. O italiano sofreu muito com acidentes na última temporada, disputando apenas 10 dos 20 GPs do ano.
Com Jorge Martín brigando pelo título com Pecco até a última corrida, Enea viu sua vaga ameaçada caso o espanhol saísse campeão, o que não se concretizou. Agora, precisa de um ano sólido para brigar pela renovação. Mas, sem dúvidas, veremos uma guerra por essa moto. E Márquez é certamente um dos candidatos.
Enquanto isso, Martín vem com tudo para 2024 para brigar novamente pelo título e conquistar a vaga na Ducati que lhe escapou ano passado. Ele chega para este ano com um novo companheiro na Pramac: Franco Morbidelli.
O ítalo-brasileiro certamente ‘caiu para cima’: perdeu a vaga em uma Yamaha pouco competitiva e, de presente, ‘ganhou’ o espaço na Pramac com a melhor moto do grid. Mas precisa de resultados, o que não entrega há algum tempo.
Com o caso da Gresini já abordado, terminamos com a quarta equipe Ducati. A VR46 vem com novidades este ano. Após uma temporada sólida, com três vitórias e outros quatro pódios, Marco Bezzecchi era candidato a subir para a Pramac, mas preferiu seguir com a VR46.
Ele terá agora ao seu lado Fabio Di Giannantonio, que merecidamente garantiu a vaga com a VR46 após a contratação de Márquez pela Gresini, o que quase o deixou sem moto para 2024. É mais um piloto que tem que entregar resultados, precisando manter o que vimos na reta final de 2023.
Pedro Acosta, Tech3 GASGAS Factory Racing
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Com Acosta na GasGas, KTM quer se consolidar como segunda força e se aproximar da Ducati
A KTM terá em 2024 o único novato do grid: Pedro Acosta, campeão de 2023 da Moto2. E Acosta tem muito o que provar. Além de já chegar cacifado como um futuro vencedor, o espanhol tem que provar que a marca austríaca fez o certo ao apostar nele.
Em um determinado ponto do ano passado, a KTM tinha cinco pilotos contratados para apenas quatro motos no grid. A montadora inclusive pediu à MotoGP se poderia criar mais uma equipe satélite, mas o pedido foi negado e, com isso, ‘sacrificou’ Pol Espargaró em detrimento de Acosta, que ocupará sua vaga na GasGas Tech3, ao lado de Augusto Fernández.
Na equipe principal, Brad Binder e Jack Miller foram mantidos por mais um ano. O sul-africano Binder certamente quer seguir construindo em cima da boa temporada que teve em 2023. Mesmo sem vencer, teve seu melhor ano na categoria, terminando com a quarta posição no Mundial, o melhor piloto não-Ducati.
Maverick Vinales, Aprilia Racing Team
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Com nova equipe satélite, Aprilia busca retomar protagonismo apresentado em 2022
Com a ‘morte’ da RNF, a Aprilia ganhou uma nova equipe satélite para 2024. A Trackhouse, equipe do mundo da NASCAR, chega para fazer uma ponte entre as duas categorias. E o time norte-americano quer chegar deixando sua marca na MotoGP. Os pilotos foram mantidos do time anterior, mas com uma mudança. Enquanto Miguel Oliveira usará a RS-GP de 2024, Raúl Fernández ficará com o modelo de 2023.
Já na equipe principal, Maverick Viñales e Aleix Espargaró foram mantidos pelo terceiro ano consecutivo. E eles têm um grande desafio pela frente: com a Ducati dominando de forma absoluta (vencendo 17 dos 20 GPs de 2023 contra 2 da Aprilia e 1 da Honda) e a KTM ganhando força mesmo sem vencer, a Aprilia precisa se mexer para pelo menos voltar a ser a segunda força do grid, como foi em 2022, quando Aleix esteve vivo na briga pelo título até o fim da temporada.
Fabio Quartararo, Yamaha Factory Racing
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Yamaha busca sair do buraco para manter Quartararo e caça ‘nova satélite’
O momento não é favorável para as montadoras japonesas. Honda e Yamaha vivem um calvário na categoria, e a Yamaha busca evitar o mesmo destino da rival: perder sua estrela. Para isso, a marca precisa fazer de tudo para evitar que Fabio Quartararo analise as opções na mesa.
E o começo não foi favorável, com o francês criticando a moto entregue pela Yamaha na pré-temporada. A expectativa da montadora é aproveitar o novo sistema de concessões para dar a volta por cima ao longo do ano, já que, para 2024, possui um desenvolvimento praticamente ilimitado.
Quartararo chega a 2024 com um novo companheiro de equipe. Morbidelli sai para dar lugar para Álex Rins, vindo da LCR Honda, com a esperança de ajudar a Yamaha com o desenvolvimento da moto. Um desenvolvimento que fica limitado pela presença no grid. Sem uma equipe satélite, a Yamaha pode contar apenas com seus dois pilotos e, por isso, busca reverter essa situação, procurando abertamente um novo segundo time. A VR46 é a mais cotada, mas a equipe de Rossi diz que a preferência é seguir com a Ducati... a ver.
Joan Mir, Repsol Honda Team
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Após perder Márquez, Honda busca se reerguer com campeão ‘tombado’ e ‘novato’ promissor
Se para Marc Márquez 2024 marca o início de uma nova fase em sua carreira, para a Honda isso vale em dobro. Pela primeira vez desde 2013 a montadora japonesa não poderá contar com um dos nomes mais importantes da história do esporte, e justo no momento mais difícil da montadora na categoria.
Desde 2020, coincidentemente, o ano do acidente de Márquez, a Honda vem apresentando uma queda vertiginosa de performance, culminando em um 2023 penoso, terminando em último no Mundial de Construtores.
Sem uma visão otimista sobre o futuro, Márquez optou por encerrar seu contrato um ano antes para correr pela Ducati. Para a Honda, restou correr atrás do prejuízo, mas o caminho certamente não será fácil.
De um lado, a Honda tem Joan Mir, que vive o pior momento de sua carreira. O campeão de 2020 teve um 2023 sofrível, terminando apenas uma corrida no top 10, com um quinto lugar no GP da Índia. O espanhol precisa dar a volta por cima, porque agora a equipe conta com ele para assumir a liderança dentro dos boxes.
Do outro, um piloto ainda jovem. Luca Marini foi a aposta da Honda para cobrir o espaço deixado por Márquez. Meio irmão de Valentino Rossi, Marini vai para sua quarta temporada na categoria após três anos com a VR46 do multicampeão, tendo conquistado dois pódios em 2023. Mas será suficiente para ajudar a guiar a Honda para fora desse momento?
A LCR, equipe satélite da Honda, também passou por mudanças para 2024. Enquanto Takaaki Nakagami foi mantido por mais um ano, Álex Rins foi para a Yamaha, abrindo espaço para a chegada de Johann Zarco, que pode ser fundamental para ajudar a Honda com o desenvolvimento da moto.
Confira o grid da MotoGP 2024
Equipe | montadora | moto | nº | piloto |
---|---|---|---|---|
Aprilia Racing | Aprilia | RS-GP24 | 12 | Maverick Viñales |
41 | Aleix Espargaró | |||
Trackhouse Racing MotoGP | RS-GP23 | 25 | Raúl Fernández | |
GP24 | 88 | Miguel Oliveira | ||
Ducati Lenovo Team | Ducati | Desmosedici GP24 | 1 | Francesco Bagnaia |
23 | Enea Bastianini | |||
Prima Pramac Racing | 21 | Franco Morbidelli | ||
89 | Jorge Martín | |||
Gresini Racing MotoGP | Desmosedici GP23 | 73 | Álex Márquez | |
93 | Marc Márquez | |||
Pertamina Enduro VR46 Racing Team | 49 | Fabio Di Giannantonio | ||
72 | Marco Bezzecchi | |||
LCR Honda | Honda | RC213V | 5 | Johann Zarco |
30 | Takaaki Nakagami | |||
Repsol Honda Team | 10 | Luca Marini | ||
36 | Joan Mir | |||
Red Bull GasGas Tech3 | KTM | RC16 | 31 | Pedro Acosta |
37 | Augusto Fernández | |||
Red Bull KTM Factory Racing | 33 | Brad Binder | ||
43 | Jack Miller | |||
Monster Energy Yamaha MotoGP | Yamaha | YZR-M1 | 20 | Fabio Quartararo |
42 | Álex Rins |
Veja o calendário da MotoGP 2024
A MotoGP terá o maior calendário de sua história em 2024, com 21 GPs previstos. Mesmo com o cancelamento prévio do GP da Argentina, o recorde está mantido. Porém, a categoria pode manter o patamar do ano passado caso o GP do Cazaquistão seja cortado novamente, assim como em 2023. O GP da Hungria, no novo circuito de Balaton Park, está como reserva caso necessário.
ETAPA | DATA | GP | CIRCUITO |
---|---|---|---|
1 | 10 de março | GP do Catar | Losail |
2 | 24 de março | GP de Portugal | Portimão |
3 | 14 de abril | GP das Américas | Circuito das Américas |
4 | 28 de abril | GP da Espanha | Circuito de Jerez |
5 | 12 de maio | GP da França | Bugatti Circuit, Le Mans |
6 | 26 de maio | GP da Catalunha | Circuit de Barcelona-Catalunya |
7 | 2 de junho | GP da Itália | Mugello |
8 | 16 de junho | GP do Cazaquistão | Sokol |
9 | 30 de junho | GP da Holanda | Assen |
10 | 7 de julho | GP da Alemanha | Sachsenring |
11 | 4 de agosto | GP da Grã-Bretanha | Silverstone |
12 | 18 de agosto | GP da Áustria | Red Bull Ring |
13 | 1 de setembro | GP de Aragón | MotorLand Aragón |
14 | 8 de setembro | GP de San Marino e da Riviera di Rimini | Misano |
15 | 22 de setembro | GP da Índia | Buddh |
16 | 29 de setembro | GP da Indonésia | Circuito de rua de Mandalika |
17 | 6 de outubro | GP do Japão | Motegi |
18 | 20 de outubro | GP da Austráia | Phillip Island |
19 | 27 de outubro | GP da Tailândia | Chang |
20 | 3 de novembro | GP da Malásia | Sepang |
21 | 17 de novembro | GP de Valência | Ricardo Tormo |
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