VÍDEO: Engenheiro brasileiro de Raikkonen revela segredos e diz que é o piloto mais limpo que já viu

Rico Penteado, que trabalhou com finlandês na Lotus, contou histórias de bastidores e afirmou que Kimi teria ao menos cinco títulos se corresse nos anos 80

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Único brasileiro a chefiar o departamento de motores de uma montadora da Fórmula 1, Ricardo Penteado contou, durante edição do Telemetria desta quarta-feira (1), sobre um dos pilotos mais icônicos dos últimos anos: Kimi Raikkonen, que anunciou aposentadoria da categoria ao final da atual temporada e trabalhou com o engenheiro na Lotus.

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Rico, que deixou a Renault no fim de 2019, contou sobre a personalidade do campeão mundial de 2007, revelou histórias curiosas de quando o conheceu, exaltou sua capacidade na pista e disse que ele teria ganho vários títulos se tivesse pilotado na década de 80. Confira:

Aposentadoria e talento de Raikkonen: "Teria ganho muitos títulos na década de 80"

"A gente sabia que ele não ficaria muito tempo na Fórmula 1. O Kimi tem o recorde de corridas, que o Fernando [Alonso] deve bater no ano que vem. Eu, por ter trabalhado com ele duas temporadas, tenho muitas memórias, mais boas do que ruins. Aprendi bastante. É um cara muito diferente, bem exclusivo e atípico. Essa imagem não é forçada, é natural. É uma pena que não há mais tantos pilotos com ele na categoria."

"Se ele tivesse nascido uns 20 anos mais cedo, com certeza seria o recordista a ser batido. Acho que teria ganho, pelo menos, cinco títulos de campeão do mundo se tivesse competido na década de 80, com Lauda e companhia."

"Ele tem uma visão espacial fora do comum. O F1 é um avião de caça, você tem um monte de botão, controles e toda a parte aerodinâmica. O Kimi é um piloto de Red Bull Air Race, de acrobacia. Tem uma capacidade de pilotagem absurda e um timing grande. Nunca vi um piloto com tanta noção disso como ele. No entanto, não é tão adaptado à tecnologia dos carros de hoje."

"Se você o colocasse em um dos veículos das antigas que era só questão de braço, timing, concentração e saber onde colocá-lo, com certeza teria conquistado alguns campeonatos ali."

Estilo do finlandês e experiência na Lotus: "Era fechado por não querer atrapalhar"

"Não é por nada que ele tem tantos fãs, é interessante o estilo dele. O caráter é tão natural que é super legal. A gente associa ele a James Hunt e vemos que tem alguma coisa relacionada. Ao ver ele embriagado em 2007, em São Paulo, pensei: 'caramba, como que pode? O cara é campeão do mundo e tá ali festejando dessa forma'. Como piloto ele é animal, merecedor do que conquistou, mas é uma pessoa simples, verdadeira e muito respeitosa. Ele está ali para ser profissional, você tem que respeitar o espaço, mas é muito humano."

"Eu trabalhei com o Kimi em 2012 e 2013, e levou dez corridas para ele me chamar de Rico. Antes, ele falava: 'Ei, engine, engine (motor, em inglês)'. Se fosse a minha primeira temporada na Fórmula 1 eu acho que teria parado no final do ano", brincou o engenheiro, que trabalhou com Raikkonen na Lotus.

"Um evento que foi muito interessante foi na Coréia ou Índia. Ele chegou na quinta-feira, em uma sala onde ficam os engenheiros, e normalmente os pilotos chegam cedo para as reuniões. O Bruno Senna sentava com cada um e falava tudo sobre cada parte do carro, o Lucas di Grassi também era assim. Já o Kimi chegava às 16h no escritório, mandava um 'hello' e só falava com o engenheiro dele, 15 minutos depois se levantava, falava 'see you tomorrow' (até amanhã, em inglês), eu pensava 'que relação humana estranha'. Porque a gente adora os pilotos e eu senti uma frieza, mas eu descobri que na verdade ele não queria atrapalhar a gente, não por não gostar ou ser antipático."

"Eu percebi isso assim: na corrida anterior, ele tinha dado um pulo que machucou as costas. Porque o Kimi teve uma pancada em Sepang, eu acho, que amassou a vértebra. Então, toda vez que ele dava um salto violento com o carro, ficava com dor nas costas. Então ele teve essa pancada, apareceu na sala, deu o "oi" e saiu. Eu fui tomar uma água e ele estava no mesmo lugar, cutuquei seu ombro e perguntei: 'como estão tuas costas?', daí ele respondeu: "Ah! Está de boa, vi o médico na semana passada e ele fez uma massagem, colocou um produto e já tá boa, depois fui na casa de um amigo fazer motocross na floresta, daí a gente fez churrasco e isso...' O cara ficou meia hora contando a vida dele pra mim."

"Eu vi que não é que ele fosse frio, e sim que não queria incomodar. Então é um cara que aprendi bastante coisa e com certeza vai fazer falta para a Fórmula 1."

Adaptação de Kimi às novas tecnologias da F1 e capacidade na pista: "Um dos mais limpos que ja vi"

"Eu lembro que quando a gente passou do V8 pro V6 eu fiquei na dúvida do que ia acontecer com o Raikkonen, porque ele teve tanta dificuldade para entender - ou não querer entender - toda a aerodinâmica do carro. Eu fazia uns mapas completamente alucinados para aumentar o downforce e o Romain Grosjean sabia usar isso, já com o Kimi eu tinha dificuldade de fazer ele entender o conceito para criar downforce na curva. Pensei: 'com um monte de botão, bateria para carregar e tal...', achei que fosse ter dificuldade."

"Ele tem essa imagem de que não trabalha muito, mas se você falar 'você tem que fazer isso', ele faz e aprende. Se você não disser, o Raikkonen não vai fazer como outros pilotos que querem dominar o carro de cabo a rabo, como o Sebastian Vettel. E acabou que ele se adaptou muito bem. O ponto forte do Kimi não é imaginar modos mirabolantes de como fazer o volante funcionar, colocar o 'botãozinho'... não é isso. Tem outros pilotos e engenheiros que fazem isso para ele. O que sabe é onde colocar o carro na pista para não ter acidente."

"Entre 2012 e 2013 a gente bateu o recorde de corridas terminadas, fizemos um monte, uma atrás da outra. Ele é um cara muito confiável. Teve uma disputa dele com o [Nico] Hulkenberg em Hockenheim, onde ele colocou o carro de um jeito que se batesse, não era culpa dele. É um dos caras mais limpos em pista."

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