ANÁLISE: Por que não faz sentido dizer que a Ferrari está atrapalhando Vettel

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ANÁLISE: Por que não faz sentido dizer que a Ferrari está atrapalhando Vettel
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Piloto alemão tem tido dificuldades com o carro da escuderia de Maranello nas últimas corridas, enquanto Leclerc tem se destacado

Sebastian Vettel, da Ferrari, está passando por um momento difícil nesta temporada na Fórmula 1, enquanto luta para tirar o máximo proveito do carro SF1000 da equipe enquanto seu companheiro de equipe, Charles Leclerc, vem com performances melhores, com dois pódios em 2020 e ocupando o quinto lugar no Mundial de Pilotos.

Depois de outro momento difícil no GP de Portugal, onde Leclerc se classificou e terminou em quarto, enquanto Vettel largou em 15º e cruzou a linha de chegada em 10º, o alemão expressou alguma frustração depois com sua situação.

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Seus comentários à emissora alemã RTL foram interpretados por alguns como ele sugerindo que os dois carros da Ferrari podem não ser completamente iguais.

A Ferrari agiu rapidamente, no entanto, para dissipar qualquer conversa sobre seus pilotos não receberem equipamentos iguais, já que o chefe da equipe Mattia Binotto deixou claro que não havia diferença no equipamento. "Os carros de Seb e Charles são idênticos, sem dúvida", disse ele à Sky Italia.

Vettel foi pressionado mais tarde sobre a questão específica de se ele pensava ou não que os carros eram diferentes, e ele não foi totalmente definitivo ao descartar a ideia. "Bem, eu acho que tenho que pensar que temos o mesmo carro e acredito que confio nas pessoas ao meu redor e na garagem", disse Vettel.

Então, o que poderia estar acontecendo e é realmente viável que a Ferrari esteja favorecendo um de seus pilotos e deliberadamente prejudicando o outro? A resposta para isso é talvez sim para a primeira parte e um não definitivo para a segunda.

Vettel admite que seu principal problema com o carro atual é que ele não consegue obter o desempenho que deseja durante a classificação no sábado. Então, começando tão longe no grid, suas chances de progredir aos domingos são muito pequenas.

Ele diz que seus problemas na classificação são causados simplesmente por sua falta de consistência e por ser incapaz de 'sentir a aderência' que Leclerc é capaz achar. Olhando para as lacunas de classificação entre os dois pilotos nesta temporada, é claro que Vettel está enfrentando mais dificuldades nesta fase da temporada do que no início.

Aqui está uma visão em quão longe Vettel esteve atrás ou à frente de Leclerc até agora neste ano, tendo sido superado em 10 dos 12 classificatórios. Os tempos são retirados das sessões de classificação concluídas (portanto, haverá comparações entre Q1 e Q2 se um dos pilotos for eliminado lá).

Áustria      Leclerc a frente (+0.283) (Leclerc 7º, Vettel 11º) 
Estíria       Vettel a frente (–0.083) (Leclerc 14º, Vettel 10º)
Hungria      Vettel a frente (-0.043) (Leclerc 6º, Vettel 5º)  
Grã-Bretanha    Leclerc a frente (+0.912) (Leclerc 4º, Vettel 10º) 
70 Anos  Leclerc a frente (+0.369) (Leclerc 8º, Vettel 11º) 
Espanha    Leclerc a frente (+0.215) (Leclerc 9º, Vettel 11º) 
Bélgica      Leclerc a frente (+0.265) (Leclerc 13º, Vettel 14º)
Itália    Leclerc a frente (+0.708) (Leclerc 13º, Vettel 17º)
Toscana       Leclerc a frente (+0.534) (Leclerc 5º, Vettel 14º) 
Rússia     Leclerc a frente (+0.370) (Leclerc 10º, Vettel 14º)
Eifel  Leclerc a frente (+0.498) (Leclerc 4º, Vettel 11º) 
Portugal     Leclerc a frente (+0.552) (Leclerc 4º, Vettel 15º) 

Vettel e Leclerc tiveram muito equilíbrio no início da temporada (exceto Silverstone, onde Vettel teve um problema específico), mas com o passar do ano a diferença entre eles foi ficando maior.

Qualquer sugestão, no entanto, de que isso se deva à Ferrari deliberadamente prejudicar Vettel porque ele está de saída é um absurdo, porque seria prejudicial para as ambições da equipe.

Devido à difícil campanha da Ferrari até agora, onde lutou especialmente em pistas como Spa e Monza, ela caiu no campeonato de construtores. No momento, está em sexto lugar na classificação e há uma grande quantidade de dinheiro em jogo em sua luta até o final da campanha.

Está 33 pontos atrás do terceiro colocado do Mundial de Construtores, a Racing Point, com cinco corridas para a temporada terminar, então ainda há uma chance de chegar lá se conseguir que os dois carros conquistem pontos regularmente.

Com a receita dos direitos comerciais da F1 paga exclusivamente pela posição em que as equipes terminam no campeonato de construtores, cada posição que uma equipe pode ganhar vale milhões de dólares a cada ano.

Mesmo para uma equipe bem financiada como a Ferrari, a diferença de cerca de 10 milhões de dólares (R$57 milhões) que existe entre terminar em sexto no campeonato e terminar em terceiro é impactante.

A desvantagem de terminar em sexto no final do ano é enorme, então é ilógico acreditar que a equipe faria qualquer coisa para atrapalhar deliberadamente um de seus carros. Mas pode muito bem haver uma explicação alternativa para o porquê de Leclerc e Vettel terem desempenhos tão diferentes, mesmo que eles tenham, em teoria, o mesmo carro - e esse é o estilo de direção individual.

Desde que Leclerc e Vettel trabalharam juntos, é de conhecimento geral que eles têm estilos de pilotagem bastante diferentes.

Vettel é um piloto que prospera quando a traseira do carro é bem feita: o que explica por que ele era tão bom na era do difusor estourado da F1. Ele se destaca quando tem fé que a parte traseira do carro irá colaborar na performance, pois isso permite que ele aproveite seu desejo de simplesmente frear tarde, virar o carro, apontar para a saída e ir embora.

A falta de estabilidade, especialmente na frenagem ou na fase de saída, com os atuais carros superpesados de F1, prejudica Vettel mais do que outros pilotos.

Leclerc, por outro lado, é muito mais tradicional e adaptável. Ele pode pilotar um carro como Max Verstappen, contornando inconsistências no manuseio. Ele também aprendeu em sua campanha inicial a aproveitar melhor as características de saída de frente que as modernas máquinas de F1 têm.

Ter tal diferença de estilo entre dois pilotos dá a uma equipe duas opções: ou tentar encontrar um compromisso que se adapte a ambos, ou seguir uma direção que se adapte melhor a um deles.

Portanto, se você é uma equipe em que um de seus pilotos é a chave para seu futuro e um deles está indo embora, é lógico que sua atenção se voltará em uma direção.

Na noite de domingo em Portugal, Leclerc deu uma resposta interessante quando questionado sobre a sua opinião sobre o pacote de atualizações que a equipe introduziu nas últimas três corridas.

"Sinto-me bastante confortável com o carro neste momento", disse ele. "Trouxemos algumas atualizações, mas elas sempre foram na direção certa para o meu estilo de pilotar. E isso me ajudou a ter um melhor desempenho nas pistas”.

Isso pode muito bem ser a melhor resposta para o que está acontecendo na Ferrari agora: que o carro foi desenvolvido em uma direção que se adapta perfeitamente a Leclerc porque ele é visto como o futuro da equipe, então faz todo o sentido para suas ambições para 2022.

Para Vettel, isso significa que pode não haver uma maneira fácil para ele mudar as coisas nas poucas corridas restantes deste ano. Mas continua a ser do interesse da Ferrari tentar ajudá-lo ao máximo nessa luta pelo terceiro lugar e pelos milhões de dólares que estão em jogo.

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Sobre esta matéria

Categoria Fórmula 1
Pilotos Sebastian Vettel
Equipes Scuderia Ferrari
Autor Jonathan Noble