F1: Entenda como eSport foi importante para recuperação de Verstappen após batida em Silverstone

Atze Kerkhof, diretor da equipe virtual Team Redline, contou como as corridas nos simuladores ajudam Verstappen; e como Max ajuda na evolução do time

F1: Entenda como eSport foi importante para recuperação de Verstappen após batida em Silverstone

O impacto de 51G nas barreiras de Silverstone foi a pancada mais forte na carreira de Max Verstappen. Mas tirando algumas dores, menos de uma semana depois o holandês já estava de volta às pistas - mesmo que uma virtual.

Verstappen participou das 24 Horas de Spa do iRacing, competindo pela equipe Team Redline com os companheiros de volante Jeff Giassi, do Brasil, e o alemão Gianni Vecchio. O trio terminou em quinto lugar, um resultado louvável visto que não possuíam o melhor carro do grid virtual.

Mas o importante não era o resultado final: o mais imporante foi a confiança que Verstappen ganhou. A prova serviu para que o holandês notasse que não teria nenhum problema físico na Hungria.

Verstappen explicou em Hungaroring que os pedais de freio que ele usa no simulador é quase idêntico ao da sua Red Bull, em termos de força necessária para frear. Então se fosse para sentir algum incômodo ou dor, elas apareceriam na prova virtual.

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Como contou Atze Kerkhof, diretor do Team Redline, "o importante para Max no simulador é que ele mantém as mesmas técnicas de frenagem dos circuitos reais. Ele quer pisar no freio com a mesma força. Os pedais do simulador de Max podem ser configurados para receber até 130 quilos de força, o que quer dizer que você precisa empurrar 130kg com a perna para ter o máximo de frenagem."

"Na verdade, quase ninguém faz isso. Mas o Max tem o pedal bem duro. Então se você tem uma corrida longa, é um ótimo teste físico. Não que simuladores exijam mutio esforço fisíco e que uma perna de duas horas seja incrivelmente cansativa, mas foi bom para o Max testar sua posição no assento, que é bem parecida com a da Red Bull, se ele ficaria confortável forçando 100kg no pedal de freio por duas horas sem sofrer com dores. Então a corrida virtual mostrou que ele estava bem."

Jogo mental

Max Verstappen, Red Bull Racing, in the Press Conference

Max Verstappen, Red Bull Racing, in the Press Conference

Photo by: Mark Sutton / Motorsport Images

Kerkhof disse que também serviu para validar o psicológico de Verstappen, com um desempenho impressionante nas 24h de Spa. "Eu não lembro de ter visto Max pilotando tão rápido assim no 'sim racing' com um carro que foi prejudicado pelo Equilíbrio de Performance," disse o diretor da equipe.

"O Porsche estava realmente muito mais lento que a BMW, mas o Max conseguiu tirar o máximo de performance do carro, similar o que ele sempre faz na Fórmula 1. O que ele conseguiu tirar do Porsche no fim foi realmente muito especial."

Verstappen também disse que a sua participação na corrida virtual serviu de teste para suas habilidades de concentração. Se por um lado não tem o fator físico de uma corrida real, ainda há muita pressão para não cometer erros e estragar o resultado.

"Manter o carro no limite por duas horas seguidas, enquanto você está competindo contra os melhores pilotos de esports, com um carro mais lento e mais difícil de dirigir demanda muita concentração", explicou Kerkhof.

"Se você erra num carro real, pode sofrer muitos danos e ainda se machucar. Mas no simulador você tem que lidar com muita pressão. Você continua representando um time. E você não está sozinho, claro. Tem dois colegas de equipe, cada um que passa de 30 à 40 horas se preparando para a corrida buscando o melhor resultado. Então a última coisa que você quer é prejudicá-los cometendo um erro bobo que poderia ser evitado. Você tem essa pressão de pilotar o mais refinado o possível."

Verstappen também está envolvido em uma competição de alto nível, onde os melhores pilotos de simulação estão competindo uns contra os outros.

Kerkhof adiciona: "com um erro você pode cair de 10 à 15 posições. É realmente um jogo mental. Não é só dirigar rápido por 24h. Você também tem que lidar com tráfego. Você tem que ser esperto e antecipar o que está acontecendo na sua frente. Ao mesmo tempo, você tem ficar de olho em onde estão seus rivais. Isso exige muita habilidade".

"Mas o Max aprimorou essas habilidades de uma maneira que atualmente ele é um dos melhores 'sim racers' do mundo. Ele também faz disso um jogo para ele. Ele leva esse desafio de pilotar um sint sem perder um único segundo, passando pelo tráfego da maneira mais tranquila possível. Ele é muito bom e ainda está melhorando também. E eu acho que é algo que ajuda na pista também."

Melhorando as habilidades

Max Verstappen, Jeff Giassi, Gianni Vecchio, Porsche 911 GT3 R, Porsche24 driven by Redline

Max Verstappen, Jeff Giassi, Gianni Vecchio, Porsche 911 GT3 R, Porsche24 driven by Redline

Photo by: iRacing

Há também outros elementos no progresso virtual de Verstappen também e Kerkhof destaca como ele melhorou em configurar o setup do carro.

"Onde ele evoluiu muito na minha opinião foi em descobrir os setups. Ele pode fazer o carro ficar do melhor jeito para ele e também para os colegas de equipe. Ele acabou virando um técnico para os outros pilotos no time e também está levando a equipe para um nível melhor."

"Nós temos quatro ótimos engenheiros no time, mas Max tem quase o mesmo nível de conhecimento de engenharia que eles tem. E esses engenheiros também trabalham em alto nível no automobilismo."

"Então ele também tem essa habilidade de fazer algo com esse conhecimento. Ele pode fazer mais progresso em uma hora do que qualquer 'sim racer' ou engenheiro consegue em uma semana, em termos de descobrir o que funciona e o que não funciona".

Capacidade mental

Max Verstappen, Jeff Giassi, Gianni Vecchio, Porsche 911 GT3 R, Porsche24 driven by Redline

Max Verstappen, Jeff Giassi, Gianni Vecchio, Porsche 911 GT3 R, Porsche24 driven by Redline

Photo by: iRacing

Para Verstappen, entretanto, as corrida virtuais não são apenas sobre usar e desenvolver as habilidades que ele precisa na F1. Também é uma maneira de relaxar.

Como destaca Kerkhof, "Primeiramente, ele dirige um carro de GT que é mais previsível que um Fórmula1. É ainda um desafio pilotar esse carro, mas ele é mais lento e você não precisa reagir rapidamente às coisas. Isso faz um tipo diferente de pilotagem. Segundo, Max é um cara que adora conversar bastante no rádio durante as 24h da corrida."

"Eu sei que quando eu estou pilotando no simulador e alguém começa a falar comigo, eu consigo manter a conversa, mas sei que vai me custar meio segundo por volta, já que eu não estou mais totalmente concentrado na corrida. Eu definitivamente não tenho o talento para correr com 50% da capacidade do meu cérebro.

"Eu preciso de 90% da capacidade para levar o carro no limite. E então usar 10% para outras coisas. Mas o Max faz tudo usando 50% para correr e 50% para conversar no rádio. Ele faz piadas e relaxa. Tudo sem afetar o tempo de volta. Isso é especial."

"Você só vê isso com pilotos de simulador supertalentosos. Os caras que são um pouco menos talentosos ficam mais estressados durante a corrida, então são mais propensos a cometerem erros".

As 24h de Spa foi a quarta corrida de Max pela Team Redline neste ano. Ele ganhou as provas das 12h de Bathurst, 24h de Nürburgring . Nas 24h de Daytona, a equipe abandonou por danos no carro.

Verstappen falou no início do ano que gostaria de pegar mais leve com as corridas virtuais. Mas Kerkhof, que se tornou amigo do holandês através do sim racing, diz que ele sempre impressiona quando compete.

"Ele é completamente livre para escolher quando pilota, ninguém decide por ele em quais ele competirá. Mas se ele se compromete, ele vai fundo e as vezes direge mais horas que os colegas de equipe. A Fórmula 1 é o trabalho dele, é para o que ele vive. Mas ele também gosta de pilotar nos simuladores, trabalhar com o time e ajudar a criar uma super equipe imbatível, que é a Team Redline nesse momento".

Max Verstappen, Red Bull Racing on a racing simulator

Max Verstappen, Red Bull Racing on a racing simulator

Photo by: Red Bull Content Pool

 

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